Sedentarismo e níveis socioeconômicos: existe diferença?

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Um recente editorial publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia discute pontos importantes sobre a prática de atividade física em dois países: Suécia e Brasil.

Sempre discutimos por aqui, os fatores de risco associados ao desenvolvimento de doenças crônicas e a importância que a atividade física tem para a manutenção de um estilo de vida saudável. Por isso, hoje, vamos falar especificamente sobre o sedentarismo trazendo um editorial publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) como doenças cardiovasculares, depressão, câncer de mama e de cólon e diabetes tipo 2.

Os indivíduos sedentários apresentam um risco de mortalidade de 20 a 30% maior quando comparados aos indivíduos fisicamente ativos.

Mas, quanto devemos praticar de atividade física por semana?

Em um artigo anterior, discutimos os principais pontos sobre as novas recomendações de atividade física norte americana e a indicação de tempo segundo cada faixa etária.

No entanto, estudos recentes têm demonstrado que 1 a cada 4 indivíduos adultos do mundo não é fisicamente ativo e que mais de 80% dos adolescentes são insuficientemente ativos, sendo que as meninas são menos ativas. Somente 1/3 dos adultos e 1/5 dos adolescentes seguem as novas diretrizes de atividade física para a população americana. Preocupante, não?! Principalmente se considerarmos que os dados de obesidade têm aumentado consideravelmente nos últimos anos, tanto em adultos, como em crianças e adolescentes.

Mas, esses dados podem variar de acordo com fatores econômicos e principalmente, de acordo com a renda do país. Nos países com produto interno bruto (PIB) mais elevado ou em crescimento, os países ricos, 26% dos homens e 35% das mulheres eram Insuficientemente ativos; enquanto que nos países de baixa renda, 12% dos homens e 24% das mulheres eram insuficientemente ativos.

Mas, o que pode explicar essa diferença?

Fatores como falta de atividade física nos horários de lazer, comportamentos sedentários em casa e no trabalho, uso aumentado de carros, ônibus e trens contribui para o sedentarismo. Fatores como violência, poluição, trânsito, salta de espaços, calçadas e infraestrutura para esportes e recreação também parecem exercer uma influência negativa nos hábitos da população.

Fatores sócio econômicos da população também estão envolvidos: um maior nível educacional está associado a mais tempo sentado, porém com uma maior assiduidade em academias e melhor condicionamento físico.

As diferenças existem até mesmo entre países de um mesmo continente em que o nível socioeconômico é semelhante: na Suécia, por exemplo, 91% da população de todas as idades, relatam praticarem alguma atividade física, enquanto que apenas 22% dos búlgaros reportam fazer exercício físico.

E o Brasil?

No Brasil 47% da população é sedentária. E as estimativas mostram que o tempo de sedentarismo deve aumentar de maneira considerável em países em desenvolvimento, já que a tendência é que as pessoas aumentem, cada vez mais, o tempo sentado.

Mesmo que os dados sejam diferentes entre o Brasil e a Suécia, ambos os países precisam desenvolver e implementar métodos que auxiliem a população em geral a aumentar os níveis de atividade física, já que as doenças relacionadas ao estilo de vida vêm crescendo nos dois países.

Mas, o que fazer para incentivar a prática de atividade física?

Segundo a publicação, o aconselhamento dos profissionais da saúde para a prática de atividade física parece ter efeitos limitados.

Na Suécia, um programa de aconselhamento individual, o Physical Activity on Prescription, vem demonstrando aumento no nível de AF em pacientes sedentários.

Portanto, é importante que o Brasil redefina o caminho a seguir em relação ao incentivo da prática de atividade física pela população. Os caminhos percorridos pela Suécia parecem ser um bom exemplo, apesar de ainda estarem longe do ideal.

Para os autores, alguns pontos merecem destaque e devem ser repensados: o desenvolvimento de pesquisas para promover um bom condicionamento cardiorrespiratório a longo prazo; o desenvolvimento de programas sustentáveis e viáveis a fim de reduzir os níveis de sedentarismo; e, talvez o maior desafio, é fazer com que governo, representantes políticos e comunidade científica se unam para a construção de uma sociedade fisicamente ativa de maneira saudável, agradável, acessível e segura.

De qualquer forma e apesar das limitações ainda presentes no cenário brasileiro, têm se observado o crescente interesse pelas discussões associadas entre atividade física e qualidade de vida. Iniciativas ainda modestas, mas que mostram em certa medida um passo dado também, como as academias ao ar livre. Mas, o caminho a ser percorrido ainda é longo.

 

Referências bibliográficas:

Stein, R.; Börjesson, M. Sedentarismo no Brasil e na Suécia – Diferentes Países, Problema Semelhante. Arq Bras Cardiol. 2019; 112(2):119-120.

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