Dia Mundial da Alimentação, por um mundo bem alimentado.

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Como parte da comemoração do Dia Mundial da Alimentação, cujo o tema deste ano é “Uma alimentação saudável para um mundo “FomeZero”, destaca-se que, nas últimas décadas, houve uma mudança drástica nos hábitos alimentares, de maneira mundial e, estima-se que 672 milhões de adultos e 125 milhões de crianças entre 5 e 19 anos são obesos e mais de 40 milhões de crianças menores de 5 anos possuem excesso de peso como consequência de uma alimentação pouco saudável e estilo de vida sedentário.

Ao mesmo tempo, aproximadamente 42,5 milhões de pessoas na América Latina estão desnutridas e 188 milhões sofrem com a falta de alimentos, segundo dados da FAO. A desnutrição infantil impacta diretamente a saúde e o crescimento saudável. A anemia entre crianças menores de 6 anos chega entre 20 e 37% nos países da América Latina.

Embora vitaminas e minerais estejam presentes em vegetais, legumes, carnes e laticínios, muitas pessoas em todo o mundo tem um consumo abaixo do recomendado desses alimentos. Portanto, estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas tenham fome oculta – uma carência não diagnosticada de vitaminas e minerais. As deficiências mais importantes são de ferro, zinco e cálcio entre os minerais e vitamina A, D e, em algumas idades, vitamina C e do complexo B.

As comunidades tendem a sentir os efeitos da fome oculta nos custos com saúde, redução do crescimento econômico, altos gastos com doenças tratáveis e evitáveis e, é claro, os indivíduos e famílias que sofrem com a desnutrição possuem baixo desenvolvimento e crescimento.

De acordo com um estudo do Imperial College (Londres), que analisou o peso de mais de 112 milhões de pessoas em 200 países entre 1985 e 2016, a população mundial ganhou entre 5 e 6 quilos por pessoa nos últimos 31 anos.

Infelizmente, o padrão dos pratos que eram constituídos principalmente de plantas e ricos em fibras mudaram para dietas hipercalóricas, com alto teor de amidos refinados, açúcar, gorduras, sal, alimentos processados, carnes e outros produtos de origem animal. Da mesma forma, gasta-se menos tempo preparando refeições em casa, e os moradores das áreas urbanas dependem cada vez mais de supermercados, estabelecimentos de fast-food, vendedores de comida de rua e restaurantes para viagem.

No Brasil, a insuficiência de consumo de vitamina D por crianças entre 2 e 6 anos é de mais de 90%, o que pode sinalizar uma preocupação de saúde pública no país. Em paralelo, a insuficiência de ingestão de vitamina A entre as crianças brasileiras está entre 20 e 59,5% e a prevalência de anemia é de 20,9%.

É importante mencionar que a fortificação de alimentos básicos com vitaminas e minerais é uma maneira comprovada, econômica e sustentável de atingir muitas pessoas com nutrientes vitais. Fortificação refere-se à adição de pequenas quantidades seguras de vitaminas, minerais e outros compostos essenciais em alimentos e condimentos de consumo habitual e que são pilares de alimentos na região ou na comunidade. A diversidade alimentar e o foco em uma dieta variada, bem como o acesso econômico a alimentos de alta qualidade nutricional, continuam sendo estratégias vitais.

Atualmente, muitas das culturas que sofrem de fome oculta têm dietas baseadas em cereais, como milho, arroz ou trigo, como na América Latina e no Caribe, que fornecem calorias suficientes para cada indivíduo, mas podem ser pobres em certos nutrientes essenciais. Portanto, muitos dos esforços do governo na América Latina giram em torno da fortificação desses cereais, que são o pilar fundamental da nossa cultura alimentar, como os projetos de fortificação de milho, trigo e arroz.

A fortificação em larga escala envolve a adição de pequenas quantidades de vitaminas e minerais a alimentos e bebidas amplamente consumidos. Além disso, o sal fortificado com iodo, por exemplo, evita danos cerebrais irreversíveis em crianças pequenas, enquanto a fortificação de farinha com ferro e ácido fólico ajuda a proteger contra a anemia por deficiência de ferro, uma das principais causas de morte defeitos do tubo materno e neural, respectivamente.

Outro exemplo é a vitamina D, que ajuda o cálcio a ser absorvido pelos ossos das crianças ou a contribuição do DHA para a função cognitiva adequada. Além dos requisitos básicos para manutenção da saúde, uma boa nutrição garante que as crianças atinjam seu potencial físico e cognitivo máximo ao longo da vida.

 

 

Referencias

http://www.fao.org/world-food-day/theme/es/

BBC News, Mundo. 2019. “Los países de América Latina donde más ha crecido la obesidad”. https://bit.ly/2nELF1Z

https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/ma-alimentacao-prejudica-saude-das-criancas-em-todo-o-mundo-alerta-o-unicef

Global Nutrition report, 2019, https://globalnutritionreport.org/blog/lets-close-the-gaps-on-food-fortification-for-better-nutrition/

Bueno et al. Nutritional risk among Brazilian children 2 to 6 years old: A multicenter study. Nutrition, 2013.

Carvalho et al. Consumo alimentar e adequação nutricional em crianças brasileiras: revisão sistemática. Revista Paulista de Pediatria, 2015.

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