Doença falciforme: o papel dos antioxidantes

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A doença falciforme (DF) é uma condição genética autossômica recessiva, mas o que é isso?

Todos nós herdamos genes dos nossos pais, ter uma doença autossômica recessiva significa que esta pessoa herdou duas cópias alteradas do mesmo gene (uma cópia alterada do pai e uma cópia alterada da mãe).

A doença falciforme resulta em um “defeito” na estrutura da hemoglobina (Hb), associado ou não a um defeito na sua síntese. Segundo um estudo publicado pelo European Heart Journal, a doença falciforme é a doença genética associada à hemoglobina mais frequente no mundo.

A mortalidade infantil relacionada a essa doença reduziu drasticamente, sobretudo em países desenvolvidos,  com a maioria dos pacientes sobrevivendo além da 5ª década.

Com o processo de envelhecimento destes pacientes, a grande preocupação está nos na morbidade relacionada a danos crônicos em órgãos, principalmente nos rins e coração.

Segundo os pesquisadores, um dos principais problemas que acometem essa população está relacionado a cardiomiopatia, reduzindo a qualidade de vida destes e favorecendo a mortalidade precoce.

A nutrição nestes casos tem um papel fundamental.

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros e publicado na revista Nutrients no mês passado, considera que a doença falciforme é uma hemoglobinopatia genética caracterizada pela destruição prematura da hemácia principalmente pela ação dos radicais livre.

Os pesquisadores testaram a possibilidade dos micronutrientes antioxidantes (retinol, tocoferol, selênio e zinco) intervirem no grau de hemólise em pacientes com DF e investigaram qual seria a adequação nutricional desses antioxidantes e suas relações com o rompimento prematuro das hemácias.

Foram incluídos 51 pacientes adultos com DF, atendidos regularmente em dois centros de referência em hematologia no Estado do Rio de Janeiro.

Segundo os resultados a maioria dos pacientes apresentou deficiência e baixo consumo de selênio.

A análise mostrou que o selênio é o principal fator determinante para a hemólise entre os nutrientes antioxidantes analisados. Assim no cuidado aos pacientes portadores desta doença,  devem constar uma alimentação com fontes de selênio para reduzir a destruição das hemácias.

Dentre os alimentos fonte de selênio estão a castanha-do-Pará e o rim bovino, porém a carne bovina, de frango, peixe e ovos também apresentam quantidades importantes de selênio, assim como, leite e derivados também podem fornecer boas quantidades do mineral, dependendo da espécie animal e do conteúdo de gordura.

Sendo uma doença genética, além de uma triagem precoce, a nutrição pode ser uma das principais estratégias para garantir uma maior qualidade de vida para estes pacientes.

 

Referências bibliográficas

HAMMOUDI, N.; LIONNET, F.; REDHEUIL, A.; MONTALESCOT, G. Cardiovascular manifestations of sickle cell disease. Eur Heart J. 2019 Apr 21. pii: ehz217. doi: 10.1093/eurheartj/ehz217. [Epub ahead of print] DELESDERRIER, E.; COPLE-RODRIGUES, C. S.; OMENA, J.; KNEIP FLEURY, M.; BARBOSA BRITO F.; COSTA BACELO, A.; CORREA KOURY, J.; CITELLI, M. Selenium Status and Hemolysis in Sickle Cell Disease Patients. Nutrients. 2019 Sep 13;11(9). pii: E2211. doi: 10.3390/nu11092211.

COMINETTI, C.; COZZOLINO, S. M. F. Funções Plenamente Reconhecidas de Nutrientes: Selênio. Força-tarefa Alimentos Fortificados e Suplementos. Comitê de Nutrição – ILSI Brasil, Julho 2009.

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