Medicina do Estilo de Vida e seu impacto sobre a vida financeira

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Quem nos acompanha por aqui já sabe como a Medicina do Estilo de Vida (MEV) tem ganhado destaque mundial nos últimos tempos devido aos inúmeros benefícios que traz a nossa saúde. Por isso, hoje, vamos expandir um pouco mais o assunto e falar de um aspecto muito importante da MEV, que a princípio pode parecer não relacionado: os impactos financeiros no bem-estar e longevidade da população.

Se há uns anos, desfrutar do descanso merecido da aposentadoria com uma garantia financeira era um objetivo palpável e ansiado pela maioria das pessoas, atualmente o cenário econômico é outro. De fato, segundo uma publicação recente do American Journal of Lifestyle Medicine, é quase certo que os trabalhadores de hoje trabalharão mais, sofrerão maiores incertezas econômicas e poderão ter piores condições de saúde em comparação aos aposentados das gerações anteriores.

Por isso, os especialistas apontam que, preservar uma boa saúde durante os anos de trabalho, está associado a uma garantia de emprego mais consistente, maiores recursos financeiros e menor risco de doenças.

Além disso, o artigo reforça a importância de tomar decisões financeiras inteligentes enquanto ainda se é um adulto jovem para que isso se reflita em melhores condições financeiras na aposentadoria. E isso não significa apenas pensar em investimentos financeiros, mas também, priorizar o investimento na própria saúde e nas escolhas relacionadas a ela.

Contudo, sabemos que grande parte da população segue fazendo escolhas equivocadas em relação à própria saúde. Basta olhar para os dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS): estima-se que 14 milhões de pessoas morrem a cada ano de doenças crônicas, o que equivale a 71% de todas as mortes no mundo (OMS 2018). Esses números estão crescendo a um ritmo alarmante em todo o mundo e devem aumentar ainda mais com o envelhecimento da população, a globalização e a urbanização.

Frente a esses dados, pesquisadores apontam que essa situação irá certamente afetar os já frágeis sistemas de saúde e, em certa medida, prejudicar o desenvolvimento econômico de algumas regiões, especialmente em países subdesenvolvidos.

Nesse contexto, faz sentido que sejam empregadas abordagens sustentáveis ​​para reduzir as chances de doenças crônicas e suas consequências. Mas qual seria o melhor caminho para isso? A Medicina do Estilo de Vida! Diferentes estudos já mostraram que intervenções baseadas na MEV (como modificações na dieta e implementação de atividades físicas na rotina) têm resultado em benefícios à saúde de pessoas com condições crônicas, inclusive aumentando substancialmente a sobrevivência a longo prazo.

Sendo assim, os pesquisadores chamam a atenção para que se invista na Medicina do Estilo de Vida de forma a melhorar também o bem-estar financeiro na época relacionado à aposentadoria das populações, pois isso pode significar menos gastos com medicações e tratamentos.

Para isso, dois grandes grupos são apontados nos estudos como potenciais disseminadores da MEV:

  1. Os empregadores, que podem oferecer programas eficazes de bem-estar financeiro no local de trabalho e promover a participação em programas de poupança para a aposentadoria;
  2. Os médicos e outros profissionais de saúde, que podem promover comportamentos saudáveis, estimular a adesão aos serviços de prevenção e ajudar a promover o bem-estar geral financeiro e de saúde.

Ou seja, é importante que a adoção de um estilo de vida saudável o mais cedo possível seja um objetivo da sociedade como um todo, para que todos possamos ter maior chance de segurança financeira na aposentadoria, assim como uma maior expectativa de vida.

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