Nutrição materna: novas evidências sobre o impacto na saúde futura das crianças

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A gestação é um período muito impactante na vida das mulheres por inúmeros motivos, sendo um deles a expectativa de ser responsável pelo desenvolvimento completo de um bebê! Mas o que muita gente não sabe é que a forma como a gestante se alimenta durante a gravidez pode ter muito mais influência na saúde da criança do que se imagina, por meio da chamada programação fetal, que pode criar padrões de proteção ou susceptibilidade a doenças no futuro.

De fato, uma pesquisa recentemente publicada no American Journal of Lifestyle Medicine se propôs a examinar mais profundamente as relações entre os aspectos da dieta materna durante a gravidez e a saúde do bebê em fase perinatal e a longo prazo. O estudo focou em analisar principalmente o neurodesenvolvimento e o risco de alergias alimentares e doenças alérgicas atópicas.

As evidências encontradas sugerem que o consumo de alimentos dentro de padrões dietéticos saudáveis ​​antes e/ou durante a gestação pode reduzir o risco de doenças crônicas no bebê, assim como de diabetes gestacional e distúrbios hipertensivos na gravidez, além de parto prematuro.

De forma geral, esse resultado vai ao encontro das últimas diretrizes dietéticas do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, que abrangem recomendações importantes para a saúde materna, reconhecendo que as condições crônicas relacionadas à dieta (como obesidade e diabetes) durante a concepção e a gravidez estão associadas à obesidade infantil e ao risco de desenvolver diabetes.

A seguir, confira os principais tópicos do documento:

  • Apoio à necessidade de alcançar um peso saudável pré-gestacional, uma vez que mulheres com alto índice de massa corporal antes da gravidez correm o risco de apresentarem um ganho de peso gestacional excessivo, diabetes gestacional, hipertensão, parto cesáreo e retenção excessiva de peso pós-parto, que possui relação com o risco subsequente em gestações futuras.
  • Padrões alimentares saudáveis ​​devem incluir maior consumo de vegetais, frutas, nozes, legumes, grãos integrais, carnes magras, frutos do mar, laticínios magros e óleos vegetais insaturados e menor consumo de carnes processadas, alimentos ricos em gordura saturada e colesterol e alimentos e bebidas com adição de açúcares.
  • Recomenda-se uma Ingestão de 200 a 300 gramas de frutos do mar por semana, antes e durante a gravidez (principalmente peixes ricos em ácidos graxos ômega-3 e com baixo teor de mercúrio). Essa orientação está associada a uma redução do risco de diabetes gestacional, distúrbios hipertensivos e parto prematuro, além de estar relacionada a um melhor desenvolvimento cognitivo, de linguagem e comunicação em crianças.
  • Outras evidências limitadas sugerem que a suplementação de ácido graxo ômega-3 durante a gestação pode resultar em desenvolvimento cognitivo favorável em crianças.
  • Já a suplementação de ácido fólico está associada a um melhor nível de folato materno durante a gravidez. Além disso, pode reduzir o risco de distúrbios hipertensivos entre mulheres de alto risco ou com histórico dessas enfermidades.
  • Por fim, o consumo durante a gravidez de alimentos alergênicos comuns, como ovos e leite de vaca, não parece estar associado a um risco aumentado de alergias alimentares, asma e doenças atópicas nas crianças.  Nem a restrição desses alimentos está associada a uma diminuição do risco dessas condições.

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Referências bibliográficas:

Esquivel MK. Nutrition for Pregnant and Lactating Women: The Latest Recommendations From the Dietary Guidelines for Americans 2020-2025 and Practice Implications. American Journal of Lifestyle Medicine. March 2021. doi:10.1177/15598276211004082

U.S. Department of Agriculture and U.S. Department of Health and Human Services. Dietary Guidelines for Americans, 2020.

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