O que mais influência na obesidade infantil: a genética ou fatores ambientais?

0
106

A influência de fatores genéticos no desenvolvimento de muitas doenças, especialmente as crônicas, já é algo estudado e difundido há décadas, sendo parte relevante dos planos de prevenção e tratamento de vários quadros. No entanto, nos últimos anos, vem crescendo a discussão que questiona o real papel dos genes no surgimento de algumas condições, como a obesidade.

Nesse contexto, um recente estudo publicado na renomada revista científica JAMA Pediatrics se propôs a avaliar as associações entre os vários lócus genéticos (posição fixa e específica em um cromossomo, onde está localizado determinado gene ou marcador genético) de suscetibilidade à obesidade e as mudanças no peso corporal de crianças durante um programa de intervenção no estilo de vida.

Para isso, 1198 crianças com sobrepeso ou obesidade participaram de um programa de intervenção no estilo de vida em um ambiente hospitalar durante 4 a 6 semanas (atividade física diária, dieta com restrição calórica e terapia comportamental) e acompanhadas de 2006 a 2013.

Como resultado, a análise dos dados mostrou que apenas 5 das 56 variantes de um único nucleotídeo da obesidade foram associadas a mudanças no peso corporal (redução do peso corporal e/ou IMC) durante a intervenção.

Portanto, segundo os autores do estudo, já considerado o maior do gênero, os genes parecem desempenhar um papel menor do que se imaginava na redução de peso em crianças com sobrepeso ou obesidade. Para os pesquisadores, os contextos ambientais, sociais e comportamentais são os fatores mais importantes a serem considerados nas estratégias de tratamento da obesidade.

Referência bibliográfica:

HEITKAMP, M.; SIEGRIST, M.; MOLNOS, S.; BRANDMAIER, S.; WAHL, S.; LANGHOF, H.; et al. Obesity Genes and Weight Loss During Lifestyle Intervention in Children With Obesity. JAMA Pediatrics, 2020. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, digite seu nome