Fibra dietética e seu papel na saúde gastrointestinal

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Fibra dietética

O Maio Roxo acabou, mas as doenças intestinais continuam sendo um grande foco das diretrizes nutricionais. Por isso, não poderíamos deixar de falar sobre o papel das fibras, principalmente, no nosso sistema digestivo. Recentes estudos têm demonstrado consistentemente os benefícios da fibra alimentar. Mas será que as recomendações atuais de consumo são realmente eficientes no tratamento dos distúrbios gastrointestinais?

Nesse contexto, um importante artigo publicado na Nature Gastroenterology and Hepatology se dedicou a refletir sobre as diferentes características químicas e físicas das fibras, encontradas em grãos integrais, legumes, verduras e frutas, e seus efeitos no aparelho digestivo.

Para os pesquisadores, as propriedades físico-químicas de diferentes fibras dietéticas (como solubilidade, viscosidade e fermentabilidade) variam muito dependendo de sua origem e grau de processamento. Segundo o estudo, essas diferenças são fatores determinantes da sua funcionalidade e aplicação clínica no trato gastrointestinal, incluindo seus efeitos na disponibilidade de micronutrientes, no tempo de trânsito intestinal, na formação de fezes e nas características microbianas.

Dessa forma, após uma revisão das recomendações atuais para o consumo de fibras, o artigo deixa um importante posicionamento: segundo os seus dados, as recomendações atuais de fibra alimentar são frequentemente limitadas e conflitantes, e falham em fornecer tipos e doses específicas de fibras no tratamento de distúrbios gastrointestinais, como síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal, doença diverticular e constipação intestinal.

Portanto, fica a grande questão: se as recomendações atuais não são ideais, quais seriam as melhores fibras e quantidades certas para se aconselhar a indivíduos que apresentam doenças intestinais? Para os autores do trabalho, é essencial elucidar questões relacionadas à manipulação e/ou aumento da ingestão de fibras para que se possa chegar a uma estratégia promissora na prevenção desse tipo de quadro.

Referência bibliográfica:

GILL, S. K.; ROSSI, M.; BAJKA, B.; WHELAN, K. Dietary fibre in gastrointestinal health and disease. Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2021 Feb;18(2):101-116. doi: 10.1038/s41575-020-00375-4. Epub 2020 Nov 18. PMID: 33208922.

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