Saúde ocular: o que sabemos sobre o tratamento com luteína?

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A alimentação como um dos principais recursos para manter uma boa saúde é algo amplamente divulgado e incorporado no dia a dia de grande parte da população. Mas pouco se fala ou divulga sobre como os alimentos podem realmente impactar na saúde ocular. Nesse contexto, queremos trazer para discussão no artigo de hoje a luteína, nutriente frequentemente considerado por muitos pesquisadores como uma alternativa terapêutica potencial para vários tipos de doenças oculares.

A luteína é um carotenoide (tipo de nutriente antioxidante) com pigmentação amarela. Sintetizada principalmente em plantas, ela não é produzida pelo nosso organismo, por isso, deve ser obtida por meio da alimentação, com o consumo de alimentos como couve, rúcula, espinafre, brócolis, ovo e milho.

Altamente concentrada na mácula (pequena região no centro da retina, que nos ver os detalhes), possui efeitos tanto antioxidantes como antiinflamatórios. Além disso, atua na filtragem da luz azul.

Cientificamente, já está comprovado que a luteína tem um grande papel no que se refere à prevenção de doenças relacionadas aos olhos. No entanto, pesquisas recentes têm se dedicado a investigar os benefícios da suplementação do nutriente no tratamento de doenças oculares já existentes, especialmente a miopia e a catarata.

De fato, um estudo transversal conduzido com a finalidade de avaliar os efeitos da exposição à radiação ultravioleta, mostrou uma probabilidade de redução da miopia em cerca de 40% entre os indivíduos com uma concentração de luteína 20% maior no plasma. Enquanto outro trabalho apontou que a suplementação oral de luteína aumentou significativamente os níveis do pigmento presente na mácula de 20% de indivíduos japoneses míopes.

Já em relação à catarata, que resumidamente ocorre em virtude da constante exposição do cristalino ao estresse oxidativo, o consumo de antioxidantes tem sido considerado essencial para evitá-la. Contudo, pesquisas recentes sobre o efeito da luteína na catarata têm sido relativamente controversas.

Enquanto diferentes estudos têm mostrado que indivíduos com uma maior ingestão de luteína tiveram uma redução de 50% na probabilidade de incidência de catarata em comparação com aqueles com consumo mais baixo, outro trabalho demonstrou que, apesar da capacidade da luteína em reduzir o dano oxidativo, seu efeito não supera  o poder antioxidante da glutationa, que é produzida por nosso próprio organismo.

Apesar disso, outras evidências recentes sugerem que a suplementação diária de luteína pode reduzir significativamente os riscos de cirurgia de catarata ou perda de visão entre os indivíduos com menor ingestão de luteína pela dieta. Portanto, essa descoberta está de acordo com o conhecimento preexistente de que a deficiência nutricional é um dos fatores de risco para a catarata. Ou seja, o papel benéfico da luteína é observado de forma mais proeminente entre a população com deficiência de seu consumo.

Em resumo, todos os dados obtidos pelos cientistas nos últimos anos são promissores, apoiando a eficácia da luteína em atrasar o desenvolvimento e a progressão dessas condições. No entanto, ainda não suportam a recomendação de suplementação de forma mandatória. Dessa forma, para a luteína ser considerada realmente um adjunto farmacológico terapêutico seguro para doenças oculares, ainda são necessários mais estudos sobre recomendações de dose para diferentes idades e sexo, bem como sobre segurança a longo prazo e as interações fisiológicas com outros medicamentos e suplementos.

Referências Bibliográficas

Li, L. H., Lee, J. C.-Y., Leung, H. H., Lam, W. C., Fu, Z., & Lo, A. C. Y. Lutein Supplementation for Eye Diseases. Nutrients, 12(6), 1721, 2020. doi:10.3390/nu12061721

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