Síndrome do Intestino Irritável e os efeitos dos simbióticos

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A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma doença gastrointestinal funcional muito comum na população. No entanto, como ela causa sintomas abdominais crônicos diversos, a fisiopatologia da doença ainda não foi totalmente elucidada, o que faz com que o seu diagnóstico seja clinicamente demorado e complexo. Dessa forma, a ciência tem se voltado nas últimas décadas a achar tratamentos mais eficazes para compensar esse atraso no diagnóstico. E alguns caminhos apontam para o uso da combinação sinérgica de prebióticos e probióticos, conhecidos como simbióticos.

Como apontado, os sintomas da síndrome do intestino irritável SII também ocorrem em outras condições clínicas: dor abdominal crônica e hábitos abdominais alterados (como constipação, diarreia ou alternância entre os dois), que também podem estar associadas ao inchaço abdominal. Além disso, os mecanismos relacionados ao eixo intestino-cérebro, que relaciona os sintomas de saúde mental como depressão e ansiedade à SII, tornam seu diagnóstico e tratamento ainda mais difícil.

Por isso, uma revisão publicada pela revista Nutrients em abril deste ano se propôs a investigar a literatura em busca dos mecanismos envolvidos nos efeitos benéficos dos prebióticos e simbióticos para pacientes com SII.

Segundo os achados do estudo, as pesquisas mais recentes da área apontam como principais causas para o desenvolvimento da doença: as disfunções da motilidade gastrointestinal, a má absorção de ácido biliar, as alterações da microbiota intestinal e do sistema nervoso entérico e a microinflamação crônica (também conhecida como inflamação de baixo grau) no nível da mucosa intestinal.

Nesse contexto, os mecanismos de ação dos probióticos na SII (embora diversos, heterogêneos e específicos de cada microrganismo vivo), de forma geral, apresentam os seguintes possíveis benefícios envolvidos:

  • Modulação da microbiota intestinal: prevenindo a proliferação de patógenos e inibindo sua adesão ao epitélio intestinal.
  • Função de barreira intestinal: promovendo a secreção de muco, uma camada de gel que oferece proteção ao epitélio de bactérias ou antígenos prejudiciais e age como um lubrificante, melhorando a motilidade intestinal e ligando os carboidratos à superfície da célula epitelial.
  • Modulação do sistema imunológico: atua na diferenciação das células T regulatórias, na suprarregulação de citocinas antiinflamatórias e fatores de crescimento e na melhora da imunidade intestinal.
  • Modulação do eixo intestino-cérebro: auxiliam na regulação das funções endócrinas e neurológicas para o aumento da comunicação intestino-cérebro.

Já no que se refere aos simbióticos, existe um crescente corpo de evidências que revela a interação modulatória benéfica de probióticos e prebióticos com a microbiota intestinal humana, mostrando resultados promissores em relação à sua eficiência em melhorar os sintomas de SII.

No entanto, seus mecanismos de ação ainda não são totalmente compreendidos. Uma das grandes dificuldades é a diferença dos perfis clínicos dos pacientes com SII que resulta em diferentes respostas após a mesma administração de probióticos. Ou seja, vários fatores como idade, sexo, dieta, hábitos intestinais, composição da microbiota e presença de comorbidades psicológicas podem influenciar nos resultados.

Assim sendo, mais ensaios clínicos ainda são necessários para uma conclusão mais relevante. Contudo, já podemos considerar que existem efeitos benéficos heterogêneos da intervenção simbiótica, desde a melhora dos sintomas gerais até a melhora dos sintomas específicos, como aumento da frequência das fezes, redução do inchaço abdominal ou dor abdominal.

Referência bibliográfica:

SIMON, E.; C. ALINOIU, L.F.; MITREA, L.; VODNAR, D.C. Probiotics,Prebiotics, and Synbiotics:Implications and Beneficial Effectsagainst Irritable Bowel Syndrome. Nutrients, 13, 211, 2021.

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