Os aspectos nutricionais das doenças gastrointestinais pediátricas

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Nos últimos anos, o manejo nutricional nas doenças gastrointestinais pediátricas tem ganhado destaque em estudos e congressos internacionais por dois motivos principais: a recente introdução por diferentes diretrizes internacionais de dietas específicas como parte de tratamentos convencionais e a melhor aceitação de alimentos em relação a medicamentos pelas crianças. Contudo, é importante lembrar que qualquer modificação dietética pode ter consequências negativas no crescimento e desenvolvimento dos pequenos.

Obviamente, pensar em como as doenças gastrointestinais podem alterar a absorção dos nutrientes é fundamental para entender seu manejo clínico e garantir o bem-estar das crianças. No entanto, o papel principal da dieta como suporte nutricional e impulsionador do crescimento não pode ser esquecido, também porque uma boa condição física é fundamental para melhorar os resultados clínicos.

Nesse sentido, um estudo de revisão recentemente publicado na revista Nutrients se propôs a analisar esses importantes aspectos das terapêuticas pediátricas. Confira os principais pontos:

  • Alimentos como gatilhos de doenças: as dietas desempenham papéis múltiplos e complexos nos distúrbios gastrointestinais pediátricos. Ou seja, os alimentos podem ser o gatilho para alergias alimentares, doença celíaca, síndrome de enterocolite induzida por proteínas ou doenças gastrointestinais eosinofílicas.
  • Dietas de eliminação nem sempre são a melhor opção: a não ser que o alimento desencadeador da doença seja claramente identificado, a aplicação de estratégias de eliminação pode ser muito desafiadora ou muito restritiva a longo prazo, o que afeta a qualidade de vida das crianças. Assim, as terapias baseadas em medicamentos podem ser o melhor (ou o único) tratamento indicado.
  • Alimentos podem, sim, induzir a remissão de doenças: a dieta pode representar uma chance terapêutica em si, por meio da adição de alimentos/ elementos específicos que induzem a remissão. Alguns exemplos: o papel antiinflamatório direto da nutrição enteral exclusiva no tratamento da Doença de Crohn (cuja função também depende da remoção de alimentos das dietas); e os efeitos antiinflamatórios e antioxidantes da curcumina sobre a colite ulcerativa pediátrica.
  • O papel adjuvante da dieta também deve ser considerado: sintomas gastrointestinais podem ser reduzidos com uma dieta correta, assim como determinados padrões alimentares podem ter um papel adjuvante às terapias médicas. Por exemplo: a dieta FODMAP (que consiste na remoção de alimentos que contêm frutose, lactose, fructo e galacto-oligossacarídeos e álcoois de açúcar) tem grande efeito em crianças com a Síndrome do Intestino Irritável.  Já uma maior ingestão de líquidos, fibras e probióticos/prebióticos pode contribuir no tratamento de distúrbios relacionados a alterações fecais, assim como fórmulas parcialmente hidrolisadas ou base de leites vegetais podem ajudar bebês com constipação crônica refratária!

Em resumo, os cientistas concluem que, apesar dos benefícios comprovados do manejo alimentar em algumas doenças pediátricas, vale lembrar que qualquer modificação na dieta pode ter efeitos prejudiciais para o desenvolvimento, sobretudo na infância. Por isso, o acompanhamento e a prescrição dos alimentos devem ser sempre realizados por um profissional capacitado.

Referência bibliográfica

DI CHIO, T.; SOKOLLIK, C.; PERONI, D.G.; HART, L.; SIMONETTI, G.; RIGHINI-GRUNDER, F.; BORRELLI, O. Nutritional Aspects of Pediatric Gastrointestinal Diseases. Nutrients, 13, 2109, 2021. https://doi.org/10.3390/nu13062109

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