O papel dos compostos bioativos do leite humano no intestino e imunidade dos bebês

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Estamos no Agosto Dourado, mês que se relembra a importância do aleitamento materno, um movimento apoiado e incentivado por diferentes sociedades internacionais e em muitos contextos. Um dos pontos principais sobre a amamentação é considerá-la uma via de mão dupla, ou seja, é benéfica tanto para o bebê quanto para a mãe, transcendendo o benefício fisiológico, apresentando benefícios emocionais, psicológicos e sobretudo, favorecendo o vínculo mãe e bebê. E quando analisamos especificamente os componentes do leite humano e seus benefícios, há alguns deles que se destacam: os compostos bioativos.

O leite humano contém uma variedade de compostos bioativos, como hormônios, citocinas, leucócitos, imunoglobulinas, lactoferrina, lisozima, células-tronco, microbiota, microRNAs e os chamados oligossacarídeos do leite humano (HMOs). Nos últimos anos, os HMOs vêm sendo apontados pelos cientistas como um componente importante para ser adicionado em fórmulas infantis devido a sua relação com a imunidade dos bebês.

Nesse contexto, uma recente revisão sistemática se propôs a estudar a fundo essa associação e trazer os principais dados sobre o assunto, confira abaixo:

  • Os HMOs têm um efeito prebiótico, pois não são digeridos no intestino e chegam ao intestino grosso intactos. Assim, estimulam o crescimento e a composição da microbiota intestinal.
  • Os oligossacarídeos do leite humano também têm propriedades antimicrobianas, inibindo a infecção por algumas bactérias específicas, sugerindo uma proteção aos bebês.
  • Vários estudos em animais e humanos demonstraram que os HMOs podem contribuir para as taxas mais baixas de enterocolite necrosante em bebês, doença intestinal comum entre bebês prematuros, que pode causar morbidade e mortalidade significativas.
  • No geral, os HMOs demonstraram diminuir a expressão de citocinas pró-inflamatórias, a penetração de bactérias patogênicas e a permeabilidade intestinal. Essas descobertas sugerem que não apenas os HMOs sozinhos, mas também HMOs em combinação com a microbiota materna e/ou do hospedeiro podem regular a função de barreira intestinal.
  • Há evidências que sugerem que os HMOs desempenham um papel importante no aprimoramento do sistema imunológico local e sistêmico em neonatos por meio do recrutamento de células T reguladoras funcionais.

Em resumo, os autores da revisão consideram que o leite humano continua sendo o padrão ouro para a nutrição infantil, ressaltado em diferentes pontos ao longo do artigo: os oligossacarídeos do leite humano têm um efeito prebiótico, diminuem a infecciosidade como iscas de patógenos e melhoram o sistema imunológico como um todo.

Contudo, os pesquisadores salientam que ainda existem caminhos importantes a serem desvendados pela ciência, sobretudo, pela grande dificuldade em desenvolver ensaios clínicos controlados bem conduzidos nessa fase da vida para se chegar a respostas mais claras.

Referência bibliográfica:
Carr LE, Virmani MD, Rosa F, Munblit D, Matazel KS, Elolimy AA and Yeruva L (2021) Role of Human Milk Bioactives on Infants’ Gut and Immune Health. Front. Immunol. 12:604080. doi: 10.3389/fimmu.2021.604080

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